Neurons Hammer "Martelando os Neuróneos" Nestes blogs, além dos assuntos relacionados com a minha vida privada, encontro também, espaço para tecer reflexões de vida, de interesse social, criticando e sugerindo soluções para o País

27
Jul 16

É difícil falar de justiça social numa situação em que o dinheiro é que está no centro das atenções. Nesse caso, só tem razão quem tiver mais dinheiro. Quem paga mais dinheiro é que tem razão. Quando falamos de direitos, há que falar de vários tipos de direitos, tais como: direitos civis (naturais), direitos políticos, direitos sociais, direitos económicos, etc. Importa-me falar dos direitos sociais, os quais cabem ao Estado garanti-los aos seus cidadãos. Esta categoria de direitos compete ao Estado, pois, os cidadãos não os podem prover por si só. É imperativo que o governo que administra o Estado os garanta aos seus cidadãos. Ainda na senda dos direitos civis, sociais e políticos, isso nos remete a questão dos três poderes que o Estado compreende, nomeadamente: poder executivo (aquele que deve executar as políticas públicas); poder legislativo (aquele que aprova e fiscaliza a implementação das leis e programas do governo) e poder judicial (que garante a observância e cumprimento da Constituição da República e a demais legislação vigente para garantir o melhor funcionamento do Estado). No seu funcionamento normal, esses poderes, nenhum deles é superior aos outros, isto é, são complementares. Portanto, nenhum cidadão, órgão ou instituição deve estar acima da lei. A combinação desses três poderes garante o exercício pleno da democracia e o provimento pleno dos direitos já mencionados para o bem-estar social e económico de todos os cidadãos. Tal como disse, quando a direcção do Estado deixa de depender do bom funcionamento dos três poderes, vive-se num verdadeiro caos. Onde somente sobrevive o mais forte. A lei da selva e teoria de Darwin, sobre a selecção natural das espécies é que reinam. Charles Darwin na sua teoria de selecção natural das espécies, deixa claro que a espécie que não consegue se adaptar ao ambiente extingue. Portanto, colocado o dinheiro no centro das atenções e como martelo da justiça, torna-se difícil o provimento dos direitos, tanto civis, tanto sociais, assim como os políticos, principalmente os sociais, porque neles a acção do Estado através do governo é pertinente para garantir a equidade e igualdade no acesso às condições básicas e colectivas da vida social: educação, saúde, habitação, transporte, justiça, alimentação, etc. Quando o dinheiro ou ganância se torna o martelo da justiça, a justiça é ofuscada e fica cega. Nestas condições, a (in)justiça somente atribui razão aquém tem mais dinheiro ou poder financeiro para silenciar ou corromper os homens da justiça. E o pobre, aquele que nada têm, que depende do provimento do Estado para a sua sobrevivência, onde é que estará nessa altura? Estará sujeito à extinção. Estará entregue a salve-se quem puder. À lei da selva. A lei do mais forte (quem tem dinheiro). Quem tem mais dinheiro é quem manda! Relativamente a esta apreciação crítica sobre a maneira que a justiça é conduzida no mundo e no nosso país principalmente, importa-me tecer algumas considerações sobre a situação actual do nosso país, quer política assim como económica. O último mandato do antigo presidente da República, Armando Guebuza, foi repleto de muitos erros administrativos, pois, a lei do mais forte é que regulava quase tudo. Violou-se a legislação e a Constituição. O dinheiro faz tudo! Será? Armando Guebuza, depois de se tornar o mais robusto financeiramente, sonhava em se perpectuar no poder, mas as vozes lhe fizeram recuar da sua intenção. Traçou uma estratégia que lhe concedia uma possibilidade de estar no comando do Estado como uma “chefia oculta”, permanecendo como presidente do partido, mas os camaradas de tudo fizeram para lhe afastar do comando das coisas. Ele, da etnia ronga, foi mais esperto que os primeiros dois presidentes da República, da etnia changana (Machel e Chissano). Ele era e continua muito temido por todos os moçambicanos e pelos camaradas! Estranho! Todo o mundo está silenciado! Ele contraiu uma dívida pública. Isso é típico de pessoas que olham no Estado como sendo sua propriedade e como um patrimônio familiar (por exemplo: José Eduardo dos Santos, Roberto Mugabe, Vladimir Putin, e outros ditadores) que pensam em se eternizar no poder. Quero acreditar que existem muitos intelectuais, muitos cientistas moçambicanos. Contudo, há só um moçambicano capaz de derrubar Armando Guebuza. Esse homem, carismático e corajoso como Samora Machel é Afonso Dlhakama. Pessoas como ele não são queridas pelos ditadores. O seu fim, costuma seguir o exemplo de Samora Machel. Dlhakama lutou e continua lutando pela democracia. Por isso que Guebuza endividou o país, na aquisição de armamento e criação de empresas fantasmas para aniquilar Dlhakama. Muitos camaradas, manipulados pela astúcia de Armando Guebuza, todos aliados, lutam por abater o líder da Renamo. Este está sujeito a extinção porque é corajoso e armado. A quando da morte de Samora Machel muitos choraram e até hoje Moçambique chora Samora Machel. Se hoje Afonso Dlhakama morre, há duas possibilidades que Moçambique espera: anarquia total (uma Somália). Presumo que muitos grupinhos rebeldes sem uma liderança fixa poderão surgir na tentativa de lutar por governar os seus territórios (em nome das riquezas que o país detém) e será difícil negociar com eles para se alcançar a paz; e pelo contrário, outra hipótese é de teremos um “Putin de Moçambique” a se recandidatar em 2019 sem que haja nenhuma voz a dizer “Não”, pois a Constituição assim permite. Só que dessa vez, Armando Guebuza estará a lutar para se perpetuar no poder, e não precisará de votos para alcançar o poder, com recurso à estratégia de “Vitória Arrancada” poderá ascender ao poder garantindo mais dois mandatos de governação. Creio que Filipe Nyusi está fazendo tempo para o cumprimento dos cinco anos previsto na Constituição para que um antigo estadista torne a se recandidatar. Isso parece loucura! Vamos tirar a prova. Sendo Filipe Nyusi o actual Presidente da República de Mocambique, por que razão Armando Guebuza estaria preocupado em envidar esforço de exterminar Afonso Dlhakama? Porque é que com Chissano, apesar da má implementação do Acordo Geral de Paz, foi possível convivermos com a Renamo durante cerca de vinte anos? O que é que inquieta a Guebuza? Há que observar que o maior inimigo do povo não está na mata nem nas montanhas. Ele está precisamente na comunidade! Cometeu erros gravíssimos na sua governação e continua gozando de imunidade e impunidade. Entre Guebuza e Dlhakama quem quer o bem do povo? Quem é que quer e luta pela democracia? Quem é que anda atrás de quem para matar? Por quê? Essa é uma questão de reflexão (It’s a food for thought). Não falo de Filipe Nyusi, pois este já nos provou que está recebendo ordens da “chefia oculta”. Tem bastantes poderes concedidos pela Constituição da República, mas continua sem gozar dos mesmos. Estudos sociais e económicos mostram que, a situação do país agravou-se com o último mandato da governação de Armando Guebuza (2009-2014). A corrupção generalizada! O abrandamento da economia nacional devido à instabilidade política assim como com a dívida pública contraída por singulares em nome do Estado. Essa situação toda colocou o país em bancarrota! Somente os mais ricos é que irão sobreviver. As crises política e económica agravaram a vida nas famílias. Há crise moral (imoralidade) devido ao dinheiro que tomou lugar de tomada de decisão nas famílias e comunidades moçambicanas! Somente manda quem tem dinheiro! A bandidagem tomou o controlo das urbes e subúrbios. A corrupção afectou até sectores muito sensíveis como educação, saúde, justiça, defesa e segurança. O inimigo do povo não é Dlhakama, mas sim, aquele que está camuflado e gozando de imunidade e impunidade. Acumulou muitos poderes financeiros e tornou-se o mais poderoso do país, que ninguém se atreve a tocar nele nem sequer lhe apontar dedinho! Quem fala a verdade está perigando a sua vida! Por isso, o gajo já descobriu que há um só corajoso por abater (Afonso Dlhakama) e o resto são cobardes e indefesos! A solução do país está na responsabilização dos que estiveram implicados directamente no endividamento do país, os quais não querem que haja alternância no poder político pelo receio às perseguições políticas e a consequente restauração de um Estado de Direito Democrático, pois, neste momento ainda gozam de uma proteção do seu partido. Ninguém é eterno senão Deus. Tudo tem seu fim. Eclesiastes diz: Há momento de tristeza e momento de alegria. Por isso, um dia, alcançaremos a Paz e desenvolvimento do nosso país. Desde que os moçambicanos descubram quem é verdadeiramente o inimigo do povo e da paz.

publicado por Julio Khosa às 11:20

24
Abr 16

Eduardo Mondlane e Samora Machel falavam e defendiam a Unidade Nacional. Não se pode falar de Unidade Nacional havendo outros compatriotas que odeiam outros compatriotas. Nós somos totalmente diferente, com cultura e modo de pensar o mundo diferentes. Para falarmos de uma verdadeira Unidade Nacional, precisamos de aceitar as nossas diferenças e sermos Unidos nas Nossas Diferenças. Isso não é uma coisa fácil, requer uma luta constante em cada um de nós, de buscar o reconhecimento do outro tal como é, priorizando sempre o espírito de tolerância e de encorajamento para a prática do bem. Falar do bem, significa deixar-te a ti mesmo para garantir o bem comum, isto é, desejar que o próximo tenha o bem. Esse esforço não deve ser somente de uma parte, deve ser de ambas partes, o que vai se consubstanciar em amor ao próximo. O perdão tem a ver com o reconhecimento do próximo como merecedor do bem. Portanto, esforços são envidados para que esta pessoa, que é vista como praticante do mal, seja transformada, mudada para ser praticante do bem. Para o efeito, não se aconselha o uso da força. Apela-se à calma e à sabedoria. Maquiavelismo, para mim, significa atear o fogo, apagar o fogo com o petróleo! Onde há Maquiavelismo, a lei de Moisés não falta! Não há imortal, todos são mortais. Quem tenta acabar com a vida do outro, que conte com o seu fim. Já, no contexto da situação actual de Moçambique, o país está mergulhado numa dívida muito grande! O endividamento do país era desnecessário na medida em que as tais dívidas (de EMATUM e Proindicus) foram cometidas. A EMATUM e a Proindicus foram criadas indevidamente, violando-se ate certo ponto a Constituição da República. Tudo isso por motivo de ÓDIO que Guebuza tem com Dhlakama e, pelo mesmo ódio que a Frelimo tem com a Renamo. A EMATUM foi criada para a pesca de atum, mas analisando bem os factos, no sentido metafórico, o atum que Armando Guebuza pretendia capturar é Afonso Dhlakama, e no ponto de vista grupal, os atuns que a Frelimo queria pescar são os homens da Renamo, principalmente os que encabeçam a estrutura partidário, daí a lista elaborada no contexto de “esquadrões de morte” para abater os homens da Renamo pelas forças multissectoriais do governo da Frelimo (FIR, FADM e PRM). Importa-me referir que, o pensar diferente não é sinónimo de inimigo, mas sim, estar em pleno gozo da liberdade de expressão consagrada na Constituição. Enquanto vemos outros compatriotas como atuns, não é possível falarmos de Unidade Nacional. Se essa ideia não constitui verdade, como também, não se justificam as 150 (cento e cinquenta) rondas negociais do Centro Internacional de Conferencias Joaquim Chissano sem consensos logrados entre as delegações da Frelimo e da Renamo. Nós o povo moçambicano, testemunhamos isso. Assistimos e chegamos a conclusão de que a questão de representatividade da parte dos partidos políticos foi posta do lado. Também, ironicamente pode-se afirmar que a Assembleia da República não tem nenhuma função. Quando a Renamo pediu para que o Governo da Frelimo se apresentasse para explicar ao povo sobre as razões das dívidas do país não declaradas, a bancada maioritária, a da Frelimo, votou contra. Em contrapartida, o mesmo partido, a quando do pronunciamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre as mesmas dívidas, o partido Frelimo, na sua V Sessão Ordinária, instruiu o governo para o esclarecimento dessas dívidas! Caricato! Por sua vez, o Movimento Democrático de Moçambique, quando propôs a criação de comissões para a fiscalização da empresa pública da Electricidade de Moçambique (EDM) e para a averiguação das reais causas sobre os refugidos de guerra no Malawi, precisamente no campo de refugiados de Kapitse, incluindo a proposta da Eliminação de Células Partidária no Aparelho do Estado, a bancada da Frelimo votou contra. Logo, está-se perante o protecionismo partidário entre os camaradas. O partido protege o governo. A Assembleia já não esta para os assuntos do povo, mas sim, para os interesses e caprichos partidários. A oposição não faz diferença pois as suas propostas são chumbadas antes de serem apreciadas. Não tem voz na Assembleia da República. A única função que aparentemente a Assembleia tem, é a de aprovar as leis, mas para quem cumpri-las? Também essa função perde a sua relevância pois, os quem aprovam essas leis são os primeiros a não respeita-las. Os programas do governo passam mesmo sem o consentimento dos partidos da oposição! A diferença de assentos na Assembleia, não deve retirar por completo a questão de representatividade dos deputados da oposição, pois, se estes detêm cerca de 45% (quarenta e cinco por cento), significa que estão representando interesses de cerca de 45% dos 23 (vinte e três) milhões dos moçambicanos, estimados em cerca de 10.350.000 (dez milhões e trezentos e cinquenta mil) moçambicanos. Esse número não é pouco. Os seus interesses não devem ser hipotecados pela exclusão provida pela bancada maioritária da Frelimo. Espera-se da Assembleia da República (AR), das Assembleias Provinciais (AP) e das Assembleias Municipais (AM) uma apreciação crítica que favoreça ao povo e não aos interesses partidários. O ódio e o protecionismo partidários são alavancas do abuso do poder, do uso abusivo dos fundos e outros recursos do Estado, materializando-se no endividamento indevido do Estado e na impunidade dos seus actores (resultado do protecionismo partidário). Se Guebuza e a Frelimo tivessem optado pelo diálogo com Dhlakama e a Renamo, para encontrarem respostas aplicáveis aos reiais problemas do país, nenhum moçambicano teria sido qualificado como atum, nem sequer investidas que endividassem o Estado moçambicano num intervalo estimado em duas ou três gerações teriam acontecido. O Estado moçambicano foi hipotecado, vendido, comprometendo o futuro das próximas gerações por motivo de ÓDIO! As riquezas que o nosso país tem, não deviam constituir um empecilho para os moçambicanos, muito pelo contrário, deviam constituir um motor que impulsione o desenvolvimento do país ao encontro do bem-estar social de todo o povo moçambicano. Mal que se descobriram os vastos recursos minerais começamos a lutar uns aos outros! A má gestão da coisa pública prejudicou a nós todos! A culpa de uns recai sobre todos nós. A teimosia de um prejudica toda a nação. Esta é a lição para o povo moçambicano não deixar tudo para os políticos. Há assuntos que exigem a intervenção do povo no sentido de influenciar na tomada de decisões para o futuro ou rumo do país. Por isso, mesmo a prevista greve de que se fala nas redes sociais, para mim, é tardia, pois, ela devia ter acontecido antes de alguém morrer, isto é, antes de acontecer o pior. É verdade que temos o direito de reivindicar pelo nosso bem, mas, neste preciso momento, a nossa reivindicação será vã. No fim da greve, teremos de sentar e repensar em como pagar a dívida. Não temos como escapar da divida pois, ela foi cometida em nome do Estado. Apelida-se como uma dívida soberana. Onde é que estávamos? Devemos saber pressionar o governo para fazer a nossa vontade sempre que possível, no momento oportuno, prevenindo-nos do perigo. Agora estamos no abismo! A não ser que essa greve se transforme numa Revolução. Mas a dívida, teremos de pagar. Consequências da passividade do povo e da arrogância do governo da Frelimo. O Estado é do povo moçambicano. Povo não é apenas aquele que é membro e simpatizante do partido no poder. Moçambique não é apenas território dos sulistas. Há que reconhecer a existência dos outros e considera-los, também, como moçambicanos, dignos e capazes de liderar os assuntos e destinos do Estado. A ideia de subestimar o outro é que fomenta o divisionismo e a necessidade da divisão do país por parte de alguns compatriotas. A Constituição considera moçambicano todo aquele que aqui foi nascido ou que adquiriu a nacionalidade moçambicana conforme previsto na mesma. Todos somos iguais perante a lei. Temos que nos respeitar e considerar para que juntos, unidos nas nossas diferenças, possamos construir o nosso belo Moçambique e vivermos em harmonia uns aos outros.

publicado por Julio Khosa às 17:49

01
Jan 16

O Estado é uma propriedade do povo. O povo é dono do Estado Moçambicano. A CRM refere-se no seu Artigo 1 que “A República de Moçambique é um Estado independente, soberano, democrático e de justiça social”. O componente “democrático” refere-se ao povo, isto é, governo do povo. Querendo isso dizer que o povo é que traça os seus próprios destinos. Nesses termos o governo é segundo a vontade (escolha) do povo e deve actuar com vista a responder as necessidades do povo. Mais adiante, o número 2 do Artigo 2 da Constituição da República de Moçambique (CRM), diz que “O povo moçambicano exerce a soberania segundo as formas fixadas na Constituição”, significando isso que para o povo actuar democraticamente no exercício da sua soberania, precisa de observar as formas e procedimentos fixadas na Constituição e na demais legislação moçambicana. O actual Presidente da República de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, a quando da sua tomada de posse, referiu-se ao povo como sendo seu patrão. Isso não é tabu e nem invenção dele. O estadista Moçambicano interpretou correctamente as atribuições do poder consagrados pela Constituição da República de Moçambique. Não é somente o Presidente da República, como também, todo o servidor público ou funcionário do Aparelho do Estado, é empregado do povo. Todo o funcionário do Estado, do topo a base da hierarquia do governo e do Estado, é servidor público (empregado do povo), e deve sim, prestar contas ao povo sobre a sua actuação segundo as formas fixadas na lei. O mesmo deve suceder com o povo Moçambicano no geral. Deve respeitar os seus empregados que são os governantes, funcionários e agentes do Estado. O Estado equipara-se a uma organização bem equipada, que reúne todo o tipo de recursos indispensáveis para o seu funcionamento, sendo os recursos humanos (RH), a componente que executa as actividades, dinamizando a organização em direcção aos objectivos organizacionais esperados, isto é, constitui a máquina administrativa da organização que é o Estado. Onde, o patrão e dono da organização é o povo e o governo participa como Recursos Humanos. Uma vez conseguido o lucro ao longo da produção, é repartido de uma forma equitativa pelo povo conforme a lei (distribuição equitativa das riquezas do País). Com isso quero dizer que o governo Moçambicano é uma parte da população Moçambicana que administra o Estado, não é dono do Estado Moçambicano. Portanto, tratando-se de um Estado de Direito, a eleição do governo, como uma amostra representativa do povo Moçambicano (cerca de 23 Milhões de Moçambicanos), deve a observar as formas fixadas na lei com transparência (eleição dos membros do governo para os três poderes – legislativo, executivo e judicial, incluindo a admissão no Aparelho do Estado e contratação de empresas ou singulares para o fornecimento de bens e prestação de serviços ao Estado). De salientar que o processo democrático não se limita apenas ao acto de votar os constituintes do governo, mas sim, continua com a aplicação clara, justa e transparente da legislação Moçambicana que regula o funcionamento da gestão e administração democrática da coisa pública que é o Estado e, sobretudo a observância da Constituição da República de Moçambique. O pacto entre os governantes, funcionários do Aparelho de Estado (servidores públicos) com o povo (patrão e dono do Estado), fundamenta-se na observância das formas fixadas na lei (Constituição e a demais legislação em vigor no nosso País), para garantir a actuação democrático de ambas partes. O povo Moçambicano só pode exercer a democracia e a cidadania num Estado de Direito em que a lei prevalece e o sistema jurídico é justo e transparente. O contrário deste procedimento remete-nos à demagogia – na qual há uma submissão excessiva da actuação política ao agrado do povo – ou nepotismo – que por sua vez, um grupo de pessoas faz assalto à coisa pública em como se de suas benesses se tratasse – que não é bom para um Estado que nem Moçambique que se assume como um “Estado de Direito, baseado no pluralismo de expressão, na organização política democrática, no respeito e garantia dos direitos e liberdades fundamentais do Homem” (Artigo 3 da CRM). Tudo o que acontece neste momento no nosso País, se o povo tolera significa que está de acordo, pois, se não estivesse, algo iria fazer para reverter o cenário, demostrando sua indignação com a actuação do governo do dia e de todos outros servidores públicos. Quando o empregado não presta bons serviços, o patrão não fica indiferente! Ele diz algo para o seu empregado que nem uma chamada de atenção ou apelo à correcção de erros. Se este não aguentar com as suas incumbências, até certo ponto o patrão, tem o direito sim, de exigir a sua demissão. Por sua vez, o povo, na qualidade de patrão e dono do Estado, precisa de mostrar a sua indignação com o governo e seus subordinados, não apenas no acto de votar, como também, através da realização de marchas (manifestações pacíficas) pelas artérias das grandes cidades, principalmente na cidade capital (Maputo) onde se concentra o poder político e económico do País, com dísticos de mensagens fortes para/contra a má actuação do governo e canções de Revolução. A isso é que se chama povo no poder, pois, o Estado Moçambicano não deve estar refém aos partidos políticos. O Estado Moçambicano não é dos partidos políticos, mas sim, de todos os Moçambicanos sem discriminação “ (...) da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, profissão ou opção política” (Artigo 35 da CRM). Os partidos políticos são uma via associativa em termos de partilha de visão ideológica e política para administrar a coisa pública em caso de ganharem nas eleições. Há compatriotas que não são políticos, mas que se preocupam com os destinos do País. No processo de tomada de decisão não há razão de exclusão destes e daqueles partidos políticos com ou sem assento nas Assembleias. Não há razão de MONO, BI e/ou TRI partidarização do Estado. Para uma boa gestão do Estado Moçambicano, chama-se atenção do retorno ao projecto inicial apresentado pelo actual PR, Filipe Nyusi: INCLUSÃO, pois, só assim é que os destinos de Moçambique enveredarão pelos caminhos traçados por Eduardo Mondlane nos anos 60 do século passado – A UNIDADE NACIONAL. A EXCLUSÃO vai destruir o país. A arrogância do governo em não observar o plasmado pelo Artigo 39 da CRM, considerando que “Todos os actos visando atentar contra a unidade nacional, prejudicar a harmonia social, criar divisionismo, situações de privilégio ou discriminação com base na cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social, condição física ou mental, estado civil dos pais, profissão ou opção política, são punidos nos termos da lei” – impede o desenvolvimento do País, e chega a colocar o nosso País na cauda do Ranking em termos do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH). Nyusi havia descoberto o segredo de resgatar a Unidade Nacional e de desenvolver o País, mas..., infelizmente, caiu na senda dos camaradas (aqueles que se intitulam libertadores e donos da pátria Moçambicana). É triste o que está a acontecer, pois, ficou claro que a Presidência da República de Moçambique sofreu um Golpe de Estado. Isto nota-se pelo desnorteamento da governação de Nyusi, ao considerar O DITO POR NÃO DITO. O que Nyusi faz não é o que ele prometeu ao povo. Portanto, ele mentiu para o povo! O povo, na qualidade de patrão, deve exigir que o actual PR (seu empregado Filipe Nyusi) retome as suas promessas. Não queremos guerra, como também, não queremos a bi-partidarização do Estado. Queremos que o povo assuma o poder segundo as formas previstas na Constituição. A CRM é muito clara. Nela tudo está conforme. Um e outro artigo talvez precisam ser contextualizados em função do contexto em que vivemos para o bem-estar social dos Moçambicanos. É um projecto muito bonito o qual privilegia a Unidade Nacional. A Exclusão promovida pela Frelimo aos Moçambicanos é que está na origem dos problemas que se agravam no nosso País. O egoísmo, nepotismo, arrogância, ganância e abuso do poder concorrem para a corrupção e desvio do Estado. Não se pode dirigir o Estado com ideias de um partido contrárias àquilo que a Constituição prevê, e ao mesmo tempo agradar o povo, pois, o povo exerce a soberania em conformidade com a Constituição. Mondlane descobriu que somos diferentes, mas mesmo assim, acreditava que apesar desse mosaico cultural e ideológico, podíamos estar Unido nas nossas diferenças e juntos edificarmos um belo Moçambique. Nyusi, apesar de ter chegado ao poder graças a um empurrão das instituições que gerem o processo eleitoral, sabia muito bem que o segredo para alcançar a PAZ, Harmonia, Desenvolvimento e Unidade de Moçambique era apostar na INCLUSÃO não apenas em termos de Diálogo como defendem alguns camaradas da Frelimo. Em jeito de conclusão, o povo, em pleno gozo dos seus direitos como dono do Estado e Patrão do governo, precisa de se colocar no seu devido lugar. Precisa exercer a sua cidadania. Precisa obrigar o governo a respeitar a Constituição e cumprir com as suas promessas. Como fazer? Uma vez que a maioria que na Assembleia da República, não constitui uma amostra que se identifica com a população (o povo) Moçambicana, mas sim, constitui outra população com características totalmente diferentes com as do povo Moçambicano, chegando a defender os seus próprios interesses em detrimento dos do povo, há uma necessidade de o povo Moçambicano se unir para dizer BASTA e NÃO as acção do actual governo que, em muitos casos as suas decisões são contrárias a vontade do povo, saindo para as ruas, marchando com dísticos de dizeres gritantes para ver se haja uma mudança do comportamento dos nossos governantes. O povo precisa se reconhecer como dono do Estado. A luta não é somente dos partidos políticos da oposição, é principalmente do povo, pois, os partidos políticos tem seus ideais que muitas das vezes entram em choque com os interesses do povo. Os partidos políticos são uma organização que partilha duma visão sobre os destinos do País, mas que não chegam a corresponder a totalidade dos Moçambicanos. Eles são uma parte dos Moçambicanos. Daí o apelo para o envolvimento de todo o povo Moçambicano na tomada de decisão no tocante aos assuntos que lhe dizem respeito. Há uma guerra civil no centro e norte do país que não é oficialmente assumida como tal pelo governo de Nyusi, mas que nela muitos putos moçambicanos vão morrendo injustamente. Não se assume que há guerra, mas enviam-se os mesmos putos para combater o que não existe! Estamos perante uma disputa do poder! Aqui se responde interesses partidários e não os do povo! Onde que está o povo? O povo é culpado por não exigir a prestação de contas ao governo de Nyusi. É chegada a hora de o povo despertar, conhecer e reconhecer os seus direitos e deveres para exigi-los e exercê-los. É hora de o povo exercer a sua cidadania e soberania. É hora de o povo saber separar o Estado do Partido e o Governo do Estado. É hora de ganhar coragem para salvar os destinos de Moçambique. É hora de dizer Adeus à exploração de Homem pelo Homem. É tempo de saber o que é que se faz com os impostos dos Moçambicanos cobrados de todas as formas e modalidades fixadas na lei. É hora de o povo sentir-se autoridade na sua própria terra (Moçambique) e não se sentir estrangeiro. É hora de saber que todos nós os Moçambicanos somos coerdeiros uns aos outros. Ninguém é mais Moçambicano que o outro ao ponto de considerar o país como dele. A resistência contra a dominação externa não foi somente da Frelimo na história de Moçambique. Aqui em Moçambique, houve outros compatriotas que resistiram contra o colonialismo. É o caso do ancestral Ngungunhane. Não há razão de o povo ser escravizado por um partido! Ninguém deve pagar tributo a ninguém senão ao Estado que é propriedade de todos nós os Moçambicanos. Enquanto a EXCLUSÃO continuar, A LUTA CONTINUA... Cidadão Moçambicano Júlio Khosa

publicado por Julio Khosa às 01:40

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