Neurons Hammer "Martelando os Neuróneos" Nestes blogs, além dos assuntos relacionados com a minha vida privada, encontro também, espaço para tecer reflexões de vida, de interesse social, criticando e sugerindo soluções para o País

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Abr 16

No meu artigo intitulado “Democracia e Governação Inclusiva em Moçambique”, ter-me-ei socorrido à governação de Nelson Mandela na Terra do Rand, para dar exemplo de uma governação inclusiva, a qual pode constituir um modelo para Moçambique ultrapassar a actual situação político-militar que se manifesta em forma de guerra civil. Continuo defendendo que, no País reina o espírito de exclusão. Há compatriotas que se acham mais Moçambicanos e donos do País. Essa assunção não constituiu verdade. Moçambique é para todos os Moçambicanos e, o que há nele constitui riqueza para todos os Moçambicanos sem descriminação. Procurei informar-me melhor sobre a constituição do governo de Nelson Mandela. Conclui que, a estratégia encontrada, no caso dos Sul-Africanos, para garantir a inclusão na governação, foi de todo o partido que obtivesse o mínimo de vinte acentos na Assembleia Nacional, tivesse de exercer funções de liderança em certos Ministérios. Acontece que que, dos partidos da oposição, segundo os resultados eleitorais de 2004, somente o National Party (NP) de Frederick Derclerk e Inkatha Freedom Party (IFP) de Mangosuthu Buthelezi é que obtiveram uma boa representação mas, mesmo assim, Nelson Mandela fez a questão de incluir no seu governo membros de outros partidos com ou sem assentos determinados como condição mínimo na sua governação. Isto é que se chama acabar com o Barrulho. Chamou-se a esse governo que segundo a fonte, vigorou de 27 de Abril de 1994 ate 30 de Junho de 1996 senão até o temo do mandato (1998), como Government of National Unity (GNU), que em português significa Governo da Unidade Nacional. De salientar que não houve empate nos assentos conseguidos nas eleições de 1994 entre o ANC e outras formações políticas. Foi iniciativa de Nelson Mandela criar um governo de reconciliação nacional. Governo esse que operou a luz de uma Constituição Interina (Provisória), acordada entre o African National Congress (ANC) e National Party (NP) em 1991. Houve partilha de pastas em alguns Ministérios na Governação de Nelson Mandela. Se cargos de Ministro, Governadores e Administradores são por confiança política, no Governo de Nelson Mandela, havia espaço para uma grande margem de desconfiança entre os partidos, ANC, NP, IFP e outros não especificados, olhando para a sua natureza, mas, nem com isso Madiba ficou abalado! Confiou aos compatriotas a missão de resgatar a Unidade Nacional, de acabar com o regime segregacionista (Apartheid) promovido, na altura pela extinta National Party de Pik Botha (Peter Botha). Ainda de acordo com a mesma fonte, o GNU conhece o seu termo em 1999. Tempo esse que coincide com o início do segundo mandato da governação do ANC, já com Thabo Mbeki na Presidência da República da Africa do Sul. Mandela só governou durante um mandato e preferiu deixar o poder ainda doce e enquanto o povo Sul-Africano o queria no poder. Essa visão e caracter de Nelson Mandela, o tornaram num protótipo de governação capaz de ajudar na resolução de conflitos políticos que actualmente fustigam o nosso País. O meu apelo vai para o senhor Presidente da República e ao partido Frelimo. Nada tem a perder em promover a inclusão no verdadeiro sentido da palavra. Pelo contrário sai a ganhar. Vai ganhar mais credibilidade e maturidade na gestão de conflitos de género. Igualmente, poderá permanecer no poder por longos tempos devido a Boa Governação. Há que priorizar o espírito de tolerância para uma verdadeira Reconciliação Nacional. Sobre o Egipto, a Bíblia, no seu Antigo Testamento (Êxodo 7;14), fala-nos do coração endurecido de Faraó. Com o endurecimento do seu coração, Deus mandou muitas pragas que fustigaram o Egipto daquele tempo. Não adianta endurecer o coração. O Presidente da República e o partido Frelimo têm que saber abrir a sua mão para poder viver e convir com os outros seres semelhantes embora diferentes em termos de comportamentos. De natureza somos diferentes mas somos iguais perante a lei. De lembrar que, o que guia um Estado, são os Homens guiados pela Lei. Se porventura o Homem decidir conduzir o povo em função da sua esperteza, corre o risco de perder o Norte das coisas, pois, o Homem é selvagem de natureza. Portanto, essa sua natureza, é corrigida pela observância das leis. À margem das leis, só existem atropelos e tropeços. Não se pode conduzir ou guiar um povo todo por vontades e caprichos individuais ou grupais. Para uma boa governação, temos que colocar a parte, todo o tipo de apetites que tivermos, para melhor servirmos o povo. Uma guerra civil pode durar cerca de vinte ou cinquenta anos devido ao ódio que tivermos contra o nosso adversário, mas no fim ao cabo, o segredo, para por fim a essa guerra, é o DIÁLOGO! O endurecimento do coração da parte do Presidente da República, Filipe Nyusi, e do seu partido, Frelimo, está e vai continuar a destruir o País se esta formação política desprezar os apelos à promoção da PAZ. Falo apenas da Frelimo e não da Renamo pois, a Renamo já manifestou a sua disposição para o DIÀLOGO, exigindo a participação de mediadores internos e externos mas não vemos a mesma vontade da parte do partido no poder. O Governo da Frelimo diz-se estar disposto para o diálogo, mas meia volta, através das FDN e FIR promove perseguições à Renamo e seu líder! Isso deixa claro a razão de desconfiança levantada pela Renamo. É claro que os assuntos são internos mas, quando um casal disputa, bate-se, a mulher foge e vai pedir socorro aos familiares do marido ou dela, fica evidente que viu que entre os dois não seria possível chegar a uma reconciliação. O mesmo acontece com os dois partidos. Não podem chegar a reconciliação nenhuma sem intervenção de mediadores. Ambos não se confiam. A mediação não é imposição. É um mecanismo para o entendimento mútuo. A situação de guerra que se regista, além de esvaziar economicamente o País, deixa-nos agastados porque, relatos avançados pela imprensa, não nos agradam. A situação dos nossos compatriotas que se refugiam para o Malawi, que perderam o pouco que tinham conquistado com suor e dificuldade ao longo das suas vidas! Centenas de mancebos que morrem na tentativa de combater os seus próprios irmãos! Infra-estruturas e bens materiais que são destruídos pelo ódio perpectuado pelos dois partidos beligerantes (Frelimo e Renamo)! Rios e rios de dinheiros que são gastos pela compra de armamentos! Isso não é salutar. Por favor, tenham pena do povo moçambicano. Apelamos ao DIÁLOGO Sério. Os nossos irmãos estão a morrer em vão. Por favor senhor Presidente da República. Por favor senhor Presidente da Renamo, QUEREMOS PAZ EM MOÇAMBIQUE. Não hipotequem o futuro dos Moçambicanos. O Estado Moçambicano não é somente dos partidos políticos. É de todos os Moçambicanos. Tudo o que há nele é herança de todo aquele que é Moçambicano. Por isso, não foi para isso que o povo vos confiou o poder. O tossir da arma é mais perigoso que o tossir de um ser humano. Uma justa revisão constitucional e governo inclusivo e transparente é que podem solucionar definitivamente os problemas do povo Moçambicano.

publicado por Julio Khosa às 11:01

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