Neurons Hammer "Martelando os Neuróneos" Nestes blogs, além dos assuntos relacionados com a minha vida privada, encontro também, espaço para tecer reflexões de vida, de interesse social, criticando e sugerindo soluções para o País

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Mar 16

Empregada doméstica, tia ou secretaria, seja qual for a denominação daquela pessoa que desempenha as funções domesticas, mas que não seja da família, que as exerce no sentido de ganhar algo no final de cada mês. Aquela que por natureza do trabalho devia ser uma ajudante da dona de casa. Quem olha para ela como uma pessoa digna de todo o respeito? Quem a defende? Todo o dia, ao me levantar, preparo-me e corro para a paragem “Madeira”, no Bairro Nkobe, onde em seguida apanho chapa até a estacão ferroviária da Matola Gare, com a finalidade de apanhar o comboio que parte em destino à cidade de Maputo todas as manhas, as 07h55min min., pois este meio de transporte aparenta ser o mais viável devido à ausência de congestionamento no seu trilho. Bem! O importante aqui, não é a minha rotina diária, é o local onde se desenrolam as conversas que pretendo deixar ficar. O seu pano de fundo, com destaque aquelas conversas das empregadas domésticas. Pude notar que a maioria delas vive em bairros periféricos das duas maiores cidades do sul do país (Maputo e Matola). Nas suas conversas, há um denominador comum, OS MAUS TRATOS! Nem todas são mal tratadas, mas em termos percentuais, poço especular que mais de 90% são as que sofrem nas mãos das suas patronas. Notei que as empregadas domesticas onde trabalham, na maioria dos casos, chegam a realizar qualquer tipo de actividande domestica, pois, não há nenhum documento escrito que delimita o que é que elas devem fazer ou deixar de fazer (como um Contrato). Por mais que a patroa não seja uma funcionária de uma empresa ou instituição pública, sendo aquela que permanece em casa, não sabe reservar algumas tarefas domésticas, como aquelas íntimas que lhe dizem respeito para exercer como esposa. Chega a deixar tudo para ser feito pela empregada domestica (arrumar a cama, lavar roupa íntima, limpar ou embelezar o quarto dela, engomar, etc, etc). Elas concluem que essas patronas preguiçosas são muito exigentes! Andam por trás das empregadas para verificar os erros e constatando uma pequena falha, estas, por sua vez são premiadas por uma chuva de palavras ofensivas e de desprezo! E, como se não bastasse, essas são obrigadas a repetir a tarefa com rigor ate que atinjam a perfeição. Comentam algumas delas ao longo da viagem pelo comboio ou pelo “Chapa” (My Love ou Machimbombo – TPM, ETM, FEMATRO ou COOTRAC I), que são proibidas de sentar-se perto das suas patroas. Caso isso aconteça, de imediato são questionadas se acabaram as tarefas! Mesmo que tenham concluído todas as tarefas atribuídas, inventa-se outras para estas não se acomodarem. Uma lembra-se que, ao chegar era-lhe vasculhada a bolsa para saber o que trazia para a posterior, ao sair, se certificar que sem permissão se terá apoderado de alguma batata, cebola, tomate ou algo qualquer que lhe poderá ser útil em sua casa! E, ao arrumar a cama, era exigida que esticasse bem o lençol para que nenhuma ondulação do mesmo aparecesse! Pouco tempo depois, as crianças da patroa, depois das refeições, iam brincar nos seus quartos e deixavam tudo desarrumado e a patroa, atribuía a culpa à empregada, alegando que ela é que não tinha arrumado a cama das crianças. Outra empregada lembra-se que no dia que tinha de receber o salário, somente tinha a hora de entrada e não tinha a hora de saída, pois, a patroa afirmava que para receber tinha que trabalhar, e que o dinheiro não vinha ao acaso! E, qual dinheiro? No máximo 2.500 MT (dois mil e quinhentos meticais). Um salário abaixo do salário mínimo moçambicano! Injustiça! Outras 1.800MT (mil e oitocentos meticais) ou 2.000MT (dois mil meticais), a trabalharem feitas escravas! Tratadas de empregadas mesmo pelas crianças das suas patroas! “Ela é minha empregada”! Há quem já se deparou com uma situação em que as crianças da patroa lhe chamavam de tia e a mãe proibia que assim lhe tratasse, pois, ela não era sua irmã. Tinham que lhe chamar de empregada. Esse termo parece pejorativo, não é? Outros patrões, para evitar esse termo que parece desprezível, recorrem ao mais sofisticado, “minha secretária”! Esse problema que não parece problema aos seus praticantes, fomenta a preguiça e o mimo às criancas que futuramente passarão a perpectuar esses males que não permitem boas relações entre diversas classes ou extratos sociais. O ditato refere que “o trabalho manual faz o homem”, isto é, é o trabalho que dignifica o homem. Com a promoção dos fofinhos e das fofas, que tipo de sociedade pretendeu construir? Dos filhos mimados e das queridas “não me toca”, de unhas compridas e bocas pintadas de batons? Aquelas que só querem manipular os telemóveis “touches”! Assistir a telenovelas! Aquelas que só pensam na vida fácil? Aquelas que confiam na lábia e palavras ofensivas para a sua auto-defendesa! Os relatos são vários. Apenas trouxe alguns que achei pertinente deixar gravados neste artigo com vista a exortar sobre a necessidade de se olhar para as empregadas domesticas como humanos iguais a nós. Olhar-se para elas como seres semelhantes; que sentem dor; que se cansam trabalhando demasiado; mães e donas de casas; que adoecem e que precisam descansar e um salário digno. Reclamamos quando um de nós é feito isso pelos estrageiros. Afinal, só é mau quando são estrageiros a nos fazerem mal! Entre nós isso nao é mau? Nada de escravatura. Proponho que as empregadas domésticas passem a assinar um contrato com o patronato antes de iniciar o trabalho. Um contrato que defina e discrimine claramente quais devem ser as suas tarefas dentro da casa. O que devem fazer e o que devem deixar de fazer, para permitir que elas façam as actividades com perfeição; que tenham horário de entrada e de saída e consequentemente, um salário aceitavel. Nada de lhes explorar feito escravas.

publicado por Julio Khosa às 16:52

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